Financiamento da Resiliência no Turismo: A Pergunta de 50 Bilhões que Cada Destino Precisa Resolver
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Toronto, Canadá, correspondente MMN: O que leva um destino turístico a permanecer forte quando o mundo ao seu redor muda? Essa pergunta moldou o debate na Universidade George Brown em 29 de julho de 2026, durante o Simpósio Canadá-Caribe sobre Resiliência no Turismo. O ministro jamaicano do Turismo, Hon. Edmund Bartlett, proferiu a palestra principal e deixou claro um ponto: a resiliência precisa ser planejada, financiada e tornada permanente.
Bartlett, também fundador e co-presidente do Centro Global de Resiliência e Gestão de Crises no Turismo (GTRCMC), define esta era como a Era da Resiliência. Mudanças climáticas, transformações geopolíticas, pandemias, ameaças cibernéticas e inteligência artificial estão moldando esse novo tempo. Essas forças se espalham rapidamente entre fronteiras. O período de incêndios florestais no Canadá, por exemplo, afeta comportamentos de viagem e economias turísticas em toda a região, mesmo em locais distantes das chamas.
O velho modelo de esperar uma crise passar para depois reconstruir já não serve. Bartlett defende uma abordagem mais ativa. Ele pede antecipação, adaptação e financiamento inclusivo. "Precisamos mudar da reação para a antecipação, da vulnerabilidade para a transformação, da recuperação fragmentada para a resiliência compartilhada", afirmou. Sua proposta inclui investimentos em sistemas de alerta precoce, infraestrutura mais forte, programas de preparação e equipes comunitárias de resposta.
Um pilar central dessa estratégia é um Fundo Global Permanente de Resiliência no Turismo. Ele cobriria todo o ciclo da resiliência — desde avaliação de riscos e adaptação às mudanças climáticas até resposta a crises, recuperação e transformação de longo prazo. E colocaria as micro, pequenas e médias empresas (MSMEs) em primeiro lugar. Esses negócios representam mais de 80 por cento das empresas turísticas no mundo e empregam milhões de pessoas em países em desenvolvimento. Bartlett os chama de alma da indústria.
"Financiar as MSMEs não é caridade. É investimento produtivo, proteção social e desenvolvimento regional combinados", disse ele. Quando hotéis pequenos, operadores de excursões, artesãos e vendedores de comida recebem apoio, ajudam suas comunidades inteiras a se recuperar. Pesquisas confirmam isso. Locais com redes fortes de MSMEs se reerguem mais rápido, mantêm tradições culturais vivas e atraem visitantes antes.
A inteligência artificial também foi um tema central. Bartlett vê a IA como ferramenta útil para prever tempestades severas, gerenciar fluxos de visitantes, enviar mensagens rápidas em crises e direcionar recursos com sabedoria. Ao mesmo tempo, exige governança ética para garantir que a IA beneficie todos. "A IA deve amplificar a capacidade humana, não apagar a dignidade humana", disse. Alfabetização digital e acesso justo precisam fazer parte do pacote para todos os atores do turismo.
A Jamaica já colocou esses princípios em prática. O GTRCMC, criado em 2015, agora atua como centro global de resiliência. Conecta governos, pesquisadores, seguradoras e parceiros privados por meio de dados compartilhados e simulações. Seus painéis preditivos monitoram riscos em tempo real em 47 países, permitindo que líderes tomem ação antes que pequenos problemas virem grandes desafios.
Bartlett também destacou o potencial de uma parceria mais forte entre Canadá e Jamaica. O Canadá contribui com tecnologia e expertise em pesquisa climática. A Jamaica traz experiência em turismo tropical e resiliência liderada pela comunidade. Juntos, poderiam apoiar projetos-piloto com financiamento conjunto para sistemas de alerta precoce baseados em IA, subsídios para infraestrutura verde e academias de treinamento em gestão de crises para donos de pequenos negócios.
Delegados vieram de todos os setores do turismo. Governos do Caribe, ministérios canadenses, grandes marcas hoteleiras, a Universidade McGill, a Universidade do Oeste Indiano, o UNWTO e o Banco Mundial estavam presentes. As discussões abordaram design de políticas, parcerias público-privadas, títulos de catástrofe e produtos de seguro ligados à resiliência.
Os dados por trás dessas conversas são impressionantes. O turismo representa quase 10,4 por cento do PIB global e sustenta 330 milhões de empregos. Tempestades extremas em 2023 custaram à indústria cerca de 28 bilhões de dólares. O Conselho Mundial de Viagens e Turismo projeta que perdas anuais ultrapassem 50 bilhões de dólares até 2030, se as tendências continuarem. Um relatório da OCDE de 2025 diz que até 60 por cento dos destinos turísticos costeiros podem enfrentar inundação crônica até 2040. Ataques cibernéticos em plataformas de viagem aumentaram 210 por cento desde 2020.
Essas tendências tornam o financiamento da resiliência uma decisão inteligente. Bartlett convidou investidores, bancos de desenvolvimento e instituições multilaterais a destinarem mais recursos a iniciativas preventivas. Propôs um novo indicador, o Retorno sobre Investimento em Resiliência (RROI), que mede desempenho financeiro junto com estabilidade social, sustentabilidade ambiental e empoderamento comunitário. Essa visão mais ampla pode mudar a forma como projetos turísticos são financiados no mundo todo.
A mensagem de Kingston a Toronto é otimista. O futuro do turismo será moldado pela preparação e pelo investimento sábio. Ao investir em resiliência hoje, governos e empresas protegem empregos, preservam identidades culturais e garantem que o turismo continue sendo uma força para crescimento inclusivo e cooperação global por gerações vindouras.