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A História de Como Mourinho Aceitou Suceder Sir Alex Ferguson no Manchester United Antes de uma Ligação Chorosa Mudar Tudo

10 August 2026 · 4 min read

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Article image by mathieu gauzy
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Manchester, Correspondente do MMN: Por 26 anos, a ideia do Manchester United sem Sir Alex Ferguson era quase impossível de imaginar. Ele construiu dinastias, ganhou títulos e fez Old Trafford parecer intocável. Quando anunciou a sua reforma em 2013, a pergunta na mente de todos era simples. Quem poderia sucedê-lo? A resposta pública foi David Moyes. A resposta real, como um novo documentário da Netflix revela, foi José Mourinho.

Mourinho, agora com 63 anos e de volta ao Real Madrid para uma segunda passagem, diz isso diretamente. "Quando saí do Real Madrid, assinei para ir ao Manchester United depois do Sir Alex." Esta frase muda a forma como entendemos aquele verão. Ferguson confirma isso. "Foi-lhe oferecido o emprego, sim. Sentei-me com ele e expliquei a situação. Tanto quanto me preocupava, ele estava a aceitar. E então, dentro de horas, mudou tudo."

Então o que aconteceu nessas horas? Uma chamada telefónica. Uma voz em lágrimas. Ferguson lembra-se disso claramente. "Uma noite, ele ligou-me e estava a chorar e disse: 'Alex, não aguento. Dei a minha palavra ao Chelsea e não vou quebrá-la.'" Mourinho já tinha feito uma promessa noutro lugar, e a sua lealdade a essa promessa superou a oportunidade de suceder o maior treinador na história do clube.

É aqui que a história fica interessante. Mourinho construiu a sua carreira com base em preparação, controlo e capacidade de ler a situação antes de qualquer outro. Neste momento, deixou as emoções liderar. Ele explica: "Uma coisa é o amor pelo futebol, outra é o amor por um clube específico. Acho que isso é mais poderoso do que o amor pelo futebol. Depois do Real Madrid, precisava de sentir que era amado." Há algo muito humano num treinador admitir isso. Ele queria estar num lugar que já conhecesse o seu valor, e Chelsea era esse lugar.

Essa escolha enviou o futebol inglês por um caminho diferente. Mourinho regressou ao Chelsea e conquistou outro título da Premier League em 2015, juntamente com a Taça da Liga. O seu tempo lá terminou em dezembro de 2015. A história estava longe de acabar. O Manchester United tentou David Moyes primeiro. Ele durou dez meses. Depois veio Louis van Gaal, que levantou a FA Cup mas não conseguiu construir o tipo de desafio pelo título que os adeptos esperavam. Em maio de 2016, Mourinho finalmente atravessou a porta de Old Trafford. Ganhou a Taça da Liga e a Liga Europa na sua primeira época, e em dezembro de 2018 a jornada chegou ao fim. A oportunidade de ser o homem que sucedeu Ferguson não era a mesma quando chegou uma segunda vez.

O documentário olha sem hesitações para outros momentos marcantes da sua carreira, especialmente a sua primeira passagem pelo Real Madrid. Ele foi enviado para desafiar o Barcelona de Pep Guardiola, e conseguiu nessa missão. A sua equipa venceu La Liga com um recorde de 100 pontos, além da Taça do Rei e da Supercopa de Espanha. O balneário era outra história. A relação com Iker Casillas tornou-se tão tensa que o lendário guarda-redes a descreve como "muito fria". Sami Khedira pinta um quadro de um plantel dividido. "Iker é uma lenda do Real Madrid, amado por todos os adeptos do Real Madrid. Ele colocou-o no banco, não fala com ele, falou mal dele nos media, então o balneário era um pesadelo, sinceramente. Depois disso, a relação entre José e muitos jogadores ficou partida, como Cristiano Ronaldo e os espanhóis, Casillas, Sergio Ramos."

A resposta de Mourinho a essa crítica é típica. Ele conta ao documentário as suas primeiras três conversas com Casillas, cada uma pedindo algo além do futebol. Mais férias, treinos mais tarde, sem hotel no dia do jogo. "Em pouco tempo, percebi que são mimados," diz ele. Casillas lembra-se diferente, especialmente quando a rivalidade de Mourinho com o Barcelona se estendeu à seleção espanhola. Mourinho não pede desculpas. "Quando vais para a seleção, podes beijar o rapaz, mas agora não. Isto é guerra."

O documentário também explora a relação complicada entre Mourinho e Roman Abramovich. O antigo dono do Chelsea contratou-o e acabou por terminar essa relação duas vezes. Mourinho descreve Abramovich como um homem com uma paixão incrível pelo futebol. Também diz que, quando se tratava da realidade diária no Chelsea, o dono não sabia nada da situação. A contratação de Andriy Shevchenko em 2006 é usada como exemplo. Mourinho nunca quis o avançado ucraniano. O negócio tinha ligações em níveis superiores. Ele queria Samuel Eto'o. A mudança de Shevchenko nunca correspondeu à excitação em torno dela, e esse episódio adicionou outra camada a uma relação que sempre teve arestas.

A emoção veio ao de cima em fevereiro de 2010. Mourinho tinha assumido o Inter de Milão e calhou com Chelsea na Liga dos Campeões. O Inter venceu por 2-1. Mourinho admite que o jogo foi pessoal. "Estava a jogar contra o Roman naquele jogo," diz ele. "Vou para casa feliz e ele vai para casa chateado. Precisava de vingança, porque o futebol pertence a pessoas como eu. Os outros são intrusos que não pertencem."

O que torna esta história tão convincente é a contradição no centro dela. Mourinho construiu toda a sua reputação em controlo e preparação. Depois recusou o emprego mais famoso em Inglaterra porque queria sentir-se desejado. Escolheu Chelsea em vez da oportunidade de substituir Ferguson. Diz agora que não se arrepende. Foi uma decisão tomada com o coração, e isso talvez seja a coisa mais reveladora que já admitiu sobre si mesmo.

A chamada telefónica de 2013 entre dois gigantes do futebol faz agora parte do registo público. Mudou a direção do Manchester United, Chelsea, e talvez de toda a Premier League. O documentário permite-nos ouvir os dois lados, e dá aos adeptos uma nova forma de entender um momento que tem sido discutido há anos. A história de Mourinho e Ferguson sempre teria uma reviravolta. Esta é ela.